Tratamento alternativo
TRF 1 - Vera Carpes

Os primeiros registros sobre a prática da auto-hemoterapia foram escritos pelo médico francês François Ravout em 1911. A técnica consiste em retirar sangue de uma veia e injetá-lo nos músculos da mesma pessoa, estimulando o aumento dos macrófagos que fazem limpeza dos vírus, bactérias e células cancerosas. Essa é a explicação dada pelo médico Luiz Moura em um CD divulgado pelos adeptos da prática. Difundido pela internet, o assunto virou uma febre no país.

Com a promessa de cura para doenças graves, a auto-hemoterapia tem sido praticada em farmácias ou por enfermeiros que vão até a casa das pessoas aplicar a injeção. O custo da aplicação é de R$ 5. O Conselho Nacional de Enfermagem não reconhece o procedimento. Já o Conselho Federal de Medicina divulgou nota condenando o procedimento e alertando a população para o risco do abandono de tratamentos convencionais. “Acho isso muito temerário. Em situações limites pode causar danos irreversíveis”, explica Geraldo Guedes, do CFM.

A polêmica sobre a medicina alternativa já chegou aos tribunais. A Justiça Federal do Pará autorizou um paciente com Hepatite C a manter tratamento médico por meio de método alternativo. A Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará contestou a decisão recorrendo ao Tribunal Regional Federal da 1a. Região, em Brasília. A 6a. Turma do Tribunal autorizou a continuidade do tratamento.

Segundo o paciente, depois de realizar três sessões do tratamento não convencional, houve uma melhora no quadro clínico. O Conselho Federal de Medicina criticou a decisão. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que a prática da auto-hemoterapia é arriscada e poderá apresentar, no futuro, efeitos colaterais. Nada que assuste os adeptos dessa novidade. “Não tenho receio. Às vezes você toma algum remédio e não dá resultado”, afirma a estudante Ângela Mota.

Além de condenar á prática da auto-hemoterapia, a Anvisa determinou que as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais adotem as medidas legais cabíveis, que vão de multas a fechamento do local que oferece o tratamento.

Esta matéria foi exibida no Via Legal 255 em 25/07/2007


  

 

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